Vida de Spotter - Entrevista


Já ouviu falar em spotters?

A palavra vem do inglês observar ou observador, nome dado aqueles que vão as proximidades dos aeroportos para poderem estar fotografando as aeronaves em procedimento de decolagem ou de pouso, dentre outras situações do quotidiano das aeronaves e dos aeroportos espalhados pelo mundo.

Fotógrafos profissionais ou apenas amadores se reúnem o mais próximo o possível para pegar aquele “close” perfeito, um ângulo diferente ou até mesmo apenas um registro daquela aeronave rara ou favorita. Para eles, muitas vezes não existe limite para poder conseguir o click dos sonhos.

Para muitos estar ali é fugir dos problemas e frustrações que tem ao longo dos dias e estar ali, perto do que ama é como se fosse um refúgio, sempre cercado de amigos e boas conversas, para muitos estar nas proximidades dos sítios aeroportuários vai muito além de só fazer fotos, muitos se reúnem para se confraternizarem com outros spotters, conversar, pegar dicas de fotografias e outras coisas.

Os spotters são em sua maioria, ou se não todos, apaixonados por aviação, alguns até mesmo já trabalham nela, mas veem ali uma maneira de estar mais perto daquilo que ama, fizemos entrevistas com alguns spotters do Brasil e fizemos uma série de perguntas a eles.


Raylane Marinho de Fortaleza – CE


Qual sua ligação com a aviação?

Nunca tive parentes que fossem envolvidos diretamente com a aviação, mas tive uma grande influência do meu pai – que no início dos anos 80 morou no Rio De Janeiro e nesse período se apaixonou pela aviação. Ainda criança, meu pai me levava ao antigo mirante do aeroporto de Fortaleza – SBFZ, onde eu me apaixonava e meu olhar se perdia dentro do escuro dos motores dos MD11 da extinta Varig, e eu também ouvia do meu pai suas histórias dessa época e via seus registros feitos no aeroporto do Galeão, suas fotos do Concorde da Air France e dos 747, meu pai foi um “meio spotter” nessa época. Foi aí então onde surgiu essa parte que eu chamo de “genética” (risos), pois sinto como se a aviação estivesse no meu sangue, um pouco adormecida e esperando a hora de despertar. E esse despertar foi fantástico.



Registro feito por meu pai de um 747 da Lufthansa no Aeroporto do Galeão na década de 80, restaurado pelo artista digital Marcos RC

Quais suas maiores realizações dentro do spotting?

Como uma futura jornalista, me sinto realizada por ter feito em 2019 um documentário contando algumas das histórias de pessoas que, como nós, são apaixonadas pela aviação. Gravar o ASAS: Amor, Spotting, Aviação e Sonhos foi um enorme desafio, gravei em Fortaleza e também visitei Teresina, onde conheci o incrível trabalho do grupo TMA - Teresina e gravei em um maravilhoso museu de miniaturas na capital do Piauí – o Espaço Cultural Aeronáutico Prof. Vespasiano J. Rubim Nunes, tudo isso em menos de dois meses. Ser jornalista e não ter a vontade e o amor por contar histórias, seria estar na profissão errada.

Também me sinto realizada por ter feito amizades verdadeiras, as mais verdadeiras foram as que surgiram logo no ambiente do spotting. É claro, é um ambiente cheio de intrigas também como qualquer outro hobby, mas as amizades que fazemos junto aos outros praticantes da atividade são firmes, criamos laços intensos e que sabemos que podemos contar com essas pessoas, de trocar visitas nas cidades onde moram, dicas de fotografia, de ajudar. Essa é uma grande realização.

Conclua com suas palavras o que é a aviação e o spotting para você.

A aviação é a minha maior paixão e que às vezes assusta quem não é muito da área, então as pessoas ao meu redor começaram a me conhecer como “aquela que fotografa aeronaves”, e fico feliz pelos meus amigos que entendem isso. Eles até me mandam as fotos das viagens que fazem e dizem “Olha, me lembrei de você aqui em Congonhas!”. Vejo por aí muita gente dizendo que “spotting não é competição”, mas querem competir em quem tem a melhor foto. Não se trata de ter a melhor foto. Se trata de ter a melhor lembrança, o melhor momento, o mais especial. Lembrar do passado e pensar “Já vi essa aeronave pessoalmente”. Se trata de união, de visitar cidades e conhecer spotters daquela região, os spotter points, de momentos. Spotting para mim não é apenas ser famoso, ter bilhões de fotos em sites, um milhão de seguidores e curtidas. Spotting é registrar, fazer com que as próximas gerações de spotters entendam, a partir dos nossos registros, o que a história de uma aeronave pode representar e o que a aviação pode nos ensinar com suas constantes evoluções.

Thaísa Hellen de São Luis - MA


Quem é você?

Olá, eu sou Thaísa, tenho 19 anos, sou de São Luis no Maranhão, mas atualmente moro em Fortaleza – CE, sou estudante de turismo e uma apaixonada pela aviação, meu hobby é o plane spotting, o que me fez descobrir outra paixão, a fotografia, meu atual objetivo é atuar como comissária de voo em alguma companhia aérea, tenho o sonho de tripular o A380 da minha companhia internacional favorita, que é a Emirates, onde eu tenho o sonho de trabalhar em algum momento da minha vida profissional.

O que o spotting mudou na sua vida?

Me fez viajar mais, conhecer mais pessoas, do pais e do mundo, olhar o hobby por outro lado, ter mais domínio sobre o assunto da aviação, me aproximar mais do minha maior paixão, me fez ter amizades verdadeiras

Como era sua vida antes e depois de ter começado com o plane spotting?

Antes do spotting eu não tinha um hobby, não era tão envolvida na aviação, não tinha tantos amigos dentro da aviação.

Depois do spotting eu descobri duas paixões que era a aviação e fotográfica, passei a viajar mais, fiz muitos amigos dentro e fora do Brasil, me desenvolvi um pouco mais como pessoa, dentro da aviação


Esses foram alguns breves relatos de alguns spotters parceiros que temos no Brasil, onde se reúnem nas cabeceiras dos aeroportos, fazem churrasco, conversam e se ajudam, sempre aliados uns aos outros para que possam estar aprendendo e evoluindo juntos. O plane spotting é um hobby sem competição e sem fins lucrativos, envolve apenas amor e dedicação entre os participantes, embora existam pessoas que o veem de forma competitiva e com o famigerado "Pano preto" que consiste de ocultar informações de outras pessoas, para que apenas um seleto grupo para que, nesse caso, apenas eles possam estar fazendo as fotos de uma aeronave específica que estaria visitando o local, mas em sua maioria os spotters se apoiam e se sustentam, tendo o amor pelo hobby como o pilar principal.

Esses são alguns relatos de alguns amigos que aceitaram participar dessa matéria e cederam as fotos para que pudéssemos estar usando aqui, caso tenha curiosidade de saber mais sobre esse hobby, podem estar falando conosco através de nossas mídias sociais que estaremos prontos a estar atendendo e tirando a duvida de vocês, mande também suas histórias e aventuras nesse hobby que atrai milhares por todo o mundo.

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